Avanços da avicultura na área de nutrição
Por João Carlos de Angelo
Zootecnista
A produção avícola é uma das grandes
responsáveis pelo desenvolvimento do Brasil por consumir grande parte dos
ingredientes produzidos e transformá-los em proteína animal (carne e ovos) com
melhor valor agregado. A avicultura do País cresceu em volume e principalmente
em parâmetros de produtividade nos últimos anos, ocupando a terceira colocação
como produtor mundial e maior exportador.
A grande dificuldade enfrentada
pelos avicultores é com a alimentação, que representa aproximadamente 70% dos
custos da produção. Aqui, as rações para avicultura são tradicionalmente
formuladas com milho e farelo de soja. Estes ingredientes são negociados em
bolsas de mercadorias e qualquer oscilação de oferta ou demanda destas
commodities acarreta na oscilação dos preços, o qual é repassado para o valor
da carne e ovos e refletido no custo da cesta básica. O setor avícola não tem
como absorver toda oscilação, pois a margem de lucratividade é estreita.
A nutrição é responsável pelo
maior custo individual do segmento e interfere também na qualidade do produto
final a ser oferecido ao mercado, na quantidade e qualidade do resíduo gerado.
O grande desafio das empresas é referente à formulação de rações visando
principalmente o ganho de peso e conversão alimentar, isto é, melhor conversão
da quantidade de ração consumida em carne e ovos. Com a melhora da conversão
alimentar é possível preservar o meio ambiente por meio da otimização no uso de
grãos.
Para garantir o desenvolvimento
do setor, os produtores precisam planejar e administrar suas operações de forma
segura. Uma das possibilidades para diminuir os custos é a utilização de
ingredientes alternativos, que podem substituir parcialmente e, em alguns casos
de forma integral, as fontes tradicionais de energia e proteína. O sorgo é um
exemplo, mas é necessária uma avaliação criteriosa para não acarretar em baixo
resultado zootécnico.
Uma técnica que tem se tornado
cada vez mais tradicional é a formulação de dietas para aves com base no
conceito de proteína ideal e em aminoácidos digestíveis. A principal vantagem
deste processo é que as dietas são formuladas com maior precisão por serem
atribuídos valores de digestibilidade para cada aminoácido dos ingredientes e
com isto os níveis empregados são próximos aos que os animais necessitam.
A indústria animal tem
pesquisado novos conceitos nutricionais para a avicultura: utilização de
aditivos como probióticos, prebióticos, minerais orgânicos, enzimas (fitase,
carboidrases, proteases, xilanases, amilases), ácidos orgânicos e
antioxidantes. Recentemente, produtos como probióticos e prebióticos começaram
a ganhar destaque por serem alimentos funcionais, possibilitando a redução de
doenças e por propiciarem melhor qualidade intestinal e saúde animal.
O uso de enzimas exógenas na
alimentação de aves reduz os fatores antinutricionais dos alimentos; aumenta a
digestibilidade de amidos, proteínas e minerais; quebra ligações específicas
que não disponibilizam os nutrientes e reduz a variabilidade do valor nutritivo
entre alimentos melhorando a eficiência das formulações.
Os alimentos funcionais podem
ser definidos como produtos alimentícios, que além de conter os nutrientes
básicos essenciais possuem a condição específica para beneficiar o hospedeiro
com melhorias na saúde.
Durante a fase pré-inicial, as
aves têm a anatomia e a fisiologia do aparelho digestivo diferenciado e
apresentam um rápido potencial de crescimento e as necessidades nutricionais
são específicas em função da dificuldade em digerir e absorver certos
nutrientes.
Na formulação de uma ração
pré-inicial temos que considerar alguns aspectos como: exigência nutricional,
tipo e qualidade dos ingredientes. É fundamental um rígido controle de
qualidade para maximizar a capacidade digestivo-absortiva.
Logo após o nascimento, os
pintinhos têm dificuldade de consumir ração na forma farelada e preferem ração
com um diâmetro levemente inferior ao tamanho de sua glote e as rações
minipeletizadas e/ou trituradas proporcionam melhores resultados por apresentarem
um tamanho de partícula apropriada à ingestão.
O investimento nutricional feito
nesta fase acaba sendo convertido em melhor resultado zootécnico e
lucratividade. É importante frisar que os níveis nutricionais, a escolha dos
ingredientes, o controle de qualidade das matérias-primas utilizadas, o
processamento e a tecnologia de fabricação são fatores fundamentais para o
sucesso da nutrição pré-inicial.
Nas demais fases (crescimento,
engorda e abate) é importante avaliar se o desempenho das aves está adequado de
acordo com o monitoramento do peso, isenção de doenças e conversão alimentar.
Já na dieta para poedeiras, o
nível de energia da dieta é considerado o ponto de partida na formulação destas
rações. Na avicultura a proteína e a energia são os fatores mais caros no custo
de produção, sendo determinantes na produção de ovos. Com o aumento da ingestão
de energia há um incremento na produção de ovos. É indispensável a atenção na
relação entre cálcio e o fósforo para se ter um bom desenvolvimento ósseo,
produção de ovos e para o nível de sódio na dieta, pois este interfere
diretamente no metabolismo de absorção dos nutrientes.
A constante evolução genética
das aves associadas às técnicas de manejo, nutrição, ambiência, controle de
enfermidades, automação de equipamentos e principalmente os avanços na nutrição
são fatores que possibilitaram a grande evolução da avicultura. Um ponto
importante a ser frisado, é que nunca houve a utilização de hormônios. O alto
desempenho das aves é resultado da combinação de inúmeras pesquisas nas áreas
de nutrição, manejo, ambiência, sanidade e profissionalismo de todo o segmento.
Fonte: www.feedfood.com.br
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